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Catecismo Maior de Westminster

Catecismo · 1648 · Assembleia de Westminster

Texto original de 1648 (196 perguntas e respostas), traduzido do inglês, com as provas bíblicas indicadas pela própria Assembleia.

P1Qual é o fim supremo e principal do homem?

Resposta

O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo plenamente para sempre.

P2Como se evidencia que há um Deus?

Resposta

A própria luz da natureza no homem e as obras de Deus declaram claramente que há um Deus; mas somente a sua Palavra e o seu Espírito o revelam suficiente e eficazmente aos homens para a sua salvação.

P4Como se evidencia que as Escrituras são a Palavra de Deus?

Resposta

As Escrituras manifestam ser a Palavra de Deus pela sua majestade e pureza; pela harmonia de todas as partes e pelo escopo do todo, que é dar toda a glória a Deus; pela sua luz e poder para convencer e converter pecadores, para confortar e edificar os crentes para a salvação; mas somente o Espírito de Deus, testificando pelas Escrituras e com elas no coração do homem, é capaz de persuadi-lo plenamente de que elas são a própria Palavra de Deus.

P5Que ensinam principalmente as Escrituras?

Resposta

As Escrituras ensinam principalmente o que o homem deve crer acerca de Deus e o dever que Deus requer do homem.

P6Que dão a conhecer as Escrituras acerca de Deus?

Resposta

As Escrituras dão a conhecer o que Deus é, as pessoas da Divindade, os seus decretos e a execução dos seus decretos.

P7Que é Deus?

Resposta

Deus é Espírito, em si e por si mesmo infinito em ser, glória, bem-aventurança e perfeição; todo-suficiente, eterno, imutável, incompreensível, presente em toda parte, todo-poderoso, que conhece todas as coisas, sapientíssimo, santíssimo, justíssimo, misericordiosíssimo e graciosíssimo, longânimo e grande em bondade e verdade.

P9Quantas pessoas há na Divindade?

Resposta

Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e estas três são um só Deus, verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas por suas propriedades pessoais.

P10Quais são as propriedades pessoais das três pessoas da Divindade?

Resposta

É próprio do Pai gerar o Filho, e do Filho ser gerado do Pai, e do Espírito Santo proceder do Pai e do Filho, desde toda a eternidade.

P12Que são os decretos de Deus?

Resposta

Os decretos de Deus são os atos sábios, livres e santos do conselho da sua vontade, pelos quais, desde toda a eternidade, ele, para a sua própria glória, preordenou imutavelmente tudo quanto acontece no tempo, especialmente a respeito dos anjos e dos homens.

P13Que decretou Deus especialmente a respeito dos anjos e dos homens?

Resposta

Deus, por um decreto eterno e imutável, por seu mero amor, para louvor da sua gloriosa graça, a ser manifestada no tempo devido, elegeu alguns anjos para a glória; e em Cristo escolheu alguns homens para a vida eterna e os meios para ela; e também, segundo o seu poder soberano e o inescrutável conselho da sua própria vontade (pelo qual concede ou retém favor como lhe apraz), preteriu e preordenou os demais para a desonra e a ira, que lhes serão infligidas por causa do seu pecado, para louvor da glória da sua justiça.

P14Como executa Deus os seus decretos?

Resposta

Deus executa os seus decretos nas obras da criação e da providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho da sua própria vontade.

P15Que é a obra da criação?

Resposta

A obra da criação é aquela em que Deus, no princípio, pela palavra do seu poder, fez do nada o mundo e todas as coisas que nele há, para si mesmo, no espaço de seis dias, e tudo muito bom.

P17Como criou Deus o homem?

Resposta

Depois de haver feito todas as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea; formou o corpo do homem do pó da terra, e a mulher da costela do homem; dotou-os de almas viventes, racionais e imortais; fê-los segundo a sua própria imagem, em conhecimento, justiça e santidade, tendo a lei de Deus escrita em seus corações e poder para cumpri-la, e domínio sobre as criaturas; contudo sujeitos a cair.

P19Qual é a providência de Deus para com os anjos?

Resposta

Deus, por sua providência, permitiu que alguns dos anjos, voluntária e irrecuperavelmente, caíssem no pecado e na condenação, limitando e ordenando isso, e todos os pecados deles, para a sua própria glória; e confirmou os demais em santidade e felicidade, empregando-os todos, segundo o seu beneplácito, na administração do seu poder, misericórdia e justiça.

P20Qual foi a providência de Deus para com o homem no estado em que foi criado?

Resposta

A providência de Deus para com o homem no estado em que foi criado consistiu em colocá-lo no paraíso, designando-o para cultivá-lo e dando-lhe liberdade para comer do fruto da terra; em pôr as criaturas sob o seu domínio e ordenar o matrimônio para o seu auxílio; em conceder-lhe comunhão consigo; em instituir o Sábado; em entrar com ele num pacto de vida, sob a condição de obediência pessoal, perfeita e perpétua, do qual a árvore da vida era penhor; e em proibir-lhe comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, sob pena de morte.

P21Permaneceu o homem no estado em que Deus a princípio o criou?

Resposta

Nossos primeiros pais, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, pela tentação de Satanás transgrediram o mandamento de Deus, comendo do fruto proibido, e por isso caíram do estado de inocência em que foram criados.

P22Caiu todo o gênero humano nessa primeira transgressão?

Resposta

Tendo sido o pacto feito com Adão como pessoa pública, não somente para si mesmo, mas para a sua posteridade, todo o gênero humano, descendendo dele por geração ordinária, pecou nele e caiu com ele nessa primeira transgressão.

P23A que estado reduziu a queda o gênero humano?

Resposta

A queda reduziu o gênero humano a um estado de pecado e miséria.

P24Que é pecado?

Resposta

Pecado é qualquer falta de conformidade com qualquer lei de Deus, ou transgressão dela, dada como regra à criatura racional.

P25Em que consiste a pecaminosidade do estado em que o homem caiu?

Resposta

A pecaminosidade do estado em que o homem caiu consiste na culpa do primeiro pecado de Adão, na falta daquela retidão em que ele foi criado e na corrupção da sua natureza, pela qual ele está completamente indisposto, incapacitado e oposto a tudo o que é espiritualmente bom, e inteiramente inclinado a todo mal, e isso continuamente; o que comumente se chama Pecado Original, e do qual procedem todas as transgressões atuais.

P26Como é transmitido o pecado original de nossos primeiros pais à sua posteridade?

Resposta

O pecado original é transmitido de nossos primeiros pais à sua posteridade por geração natural, de modo que todos os que deles procedem desse modo são concebidos e nascidos em pecado.

P28Quais são os castigos do pecado neste mundo?

Resposta

Os castigos do pecado neste mundo são ou interiores, como cegueira de entendimento, sentimento réprobo, fortes ilusões, dureza de coração, horror de consciência e paixões vis; ou exteriores, como a maldição de Deus sobre as criaturas por nossa causa, e todos os outros males que nos sobrevêm em nosso corpo, nome, bens, relações e ocupações, juntamente com a própria morte.

P29Quais são os castigos do pecado no mundo vindouro?

Resposta

Os castigos do pecado no mundo vindouro são a separação eterna da consoladora presença de Deus e os mais penosos tormentos na alma e no corpo, sem interrupção, no fogo do inferno para sempre.

P30Deixa Deus todo o gênero humano perecer no estado de pecado e miséria?

Resposta

Deus não deixa todos os homens perecerem no estado de pecado e miséria em que caíram pela violação do primeiro pacto, comumente chamado Pacto de Obras; mas, por seu mero amor e misericórdia, livra dele os seus eleitos e os introduz num estado de salvação pelo segundo pacto, comumente chamado Pacto da Graça.

P31Com quem foi feito o pacto da graça?

Resposta

O pacto da graça foi feito com Cristo, como o segundo Adão, e nele com todos os eleitos, como a sua semente.

P32Como se manifesta a graça de Deus no segundo pacto?

Resposta

A graça de Deus manifesta-se no segundo pacto em que ele livremente provê e oferece aos pecadores um Mediador, e vida e salvação por meio dele; e, exigindo a fé como condição para lhes dar parte nele, promete e dá o seu Santo Espírito a todos os seus eleitos, para operar neles essa fé, com todas as outras graças salvadoras, e para habilitá-los a toda santa obediência, como evidência da verdade da sua fé e da sua gratidão a Deus, e como o caminho que ele lhes designou para a salvação.

P33Foi o pacto da graça sempre administrado de um e do mesmo modo?

Resposta

O pacto da graça nem sempre foi administrado do mesmo modo; as suas administrações sob o Antigo Testamento eram diferentes das que há sob o Novo.

P34Como foi administrado o pacto da graça sob o Antigo Testamento?

Resposta

O pacto da graça foi administrado sob o Antigo Testamento por promessas, profecias, sacrifícios, circuncisão, a páscoa e outros tipos e ordenanças, que todos prefiguravam Cristo, que então havia de vir, e que foram, para aquele tempo, suficientes para edificar os eleitos na fé no Messias prometido, por quem tinham então plena remissão do pecado e salvação eterna.

P35Como é administrado o pacto da graça sob o Novo Testamento?

Resposta

Sob o Novo Testamento, quando Cristo, a substância, foi manifestado, o mesmo pacto da graça foi, e ainda deve ser, administrado na pregação da Palavra e na administração dos sacramentos do Batismo e da Ceia do Senhor, nos quais a graça e a salvação são apresentadas a todas as nações com mais plenitude, evidência e eficácia.

P36Quem é o Mediador do pacto da graça?

Resposta

O único Mediador do pacto da graça é o Senhor Jesus Cristo, que, sendo o eterno Filho de Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele, na plenitude do tempo se fez homem; e assim foi, e continua a ser, Deus e homem, em duas naturezas inteiras e distintas e uma só pessoa, para sempre.

P37Como se fez homem Cristo, sendo o Filho de Deus?

Resposta

Cristo, o Filho de Deus, fez-se homem tomando para si um verdadeiro corpo e uma alma racional, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria, da substância dela, e nascido dela, contudo sem pecado.

P38Por que era necessário que o Mediador fosse Deus?

Resposta

Era necessário que o Mediador fosse Deus, para que pudesse sustentar e guardar a natureza humana, a fim de que não sucumbisse sob a infinita ira de Deus e o poder da morte; dar valor e eficácia aos seus sofrimentos, obediência e intercessão; e para satisfazer a justiça de Deus, alcançar o seu favor, adquirir um povo peculiar, dar-lhe o seu Espírito, vencer todos os seus inimigos e levá-lo à salvação eterna.

P39Por que era necessário que o Mediador fosse homem?

Resposta

Era necessário que o Mediador fosse homem, para que pudesse elevar a nossa natureza, prestar obediência à lei, sofrer e interceder por nós em nossa natureza, compadecer-se das nossas fraquezas; a fim de que recebêssemos a adoção de filhos e tivéssemos conforto e acesso com ousadia ao trono da graça.

P40Por que era necessário que o Mediador fosse Deus e homem em uma só pessoa?

Resposta

Era necessário que o Mediador, que havia de reconciliar Deus e o homem, fosse ele mesmo Deus e homem, e isto em uma só pessoa, para que as obras próprias de cada natureza fossem aceitas por Deus em nosso favor, e nelas confiássemos, como obras da pessoa inteira.

P41Por que foi o nosso Mediador chamado Jesus?

Resposta

O nosso Mediador foi chamado Jesus porque salva o seu povo dos seus pecados.

P43Como exerce Cristo o ofício de profeta?

Resposta

Cristo exerce o ofício de profeta revelando à Igreja, em todas as épocas, pelo seu Espírito e pela sua Palavra, por diversos modos de administração, toda a vontade de Deus, em todas as coisas que dizem respeito à sua edificação e salvação.

P44Como exerce Cristo o ofício de sacerdote?

Resposta

Cristo exerce o ofício de sacerdote oferecendo-se a si mesmo, uma só vez, a Deus, como sacrifício sem mácula, para ser a reconciliação pelos pecados do seu povo; e fazendo contínua intercessão por ele.

P45Como exerce Cristo o ofício de rei?

Resposta

Cristo exerce o ofício de rei chamando do mundo um povo para si e dando-lhe oficiais, leis e censuras, pelos quais o governa visivelmente; concedendo graça salvadora aos seus eleitos, galardoando a sua obediência e corrigindo-os pelos seus pecados, preservando-os e sustentando-os em todas as suas tentações e sofrimentos, refreando e vencendo todos os seus inimigos e ordenando poderosamente todas as coisas para a sua própria glória e para o bem deles; e também tomando vingança dos demais, que não conhecem a Deus e não obedecem ao evangelho.

P46Qual foi o estado da humilhação de Cristo?

Resposta

O estado da humilhação de Cristo foi aquela condição humilde em que ele, por amor de nós, despojando-se da sua glória, tomou sobre si a forma de servo, em sua concepção e nascimento, em sua vida, em sua morte e depois da sua morte, até a sua ressurreição.

P47Como se humilhou Cristo em sua concepção e nascimento?

Resposta

Cristo humilhou-se em sua concepção e nascimento em que, sendo desde toda a eternidade o Filho de Deus, no seio do Pai, aprouve-lhe, na plenitude do tempo, tornar-se filho do homem, nascido de uma mulher de condição humilde, e nascer dela, com diversas circunstâncias de rebaixamento mais do que ordinário.

P48Como se humilhou Cristo em sua vida?

Resposta

Cristo humilhou-se em sua vida sujeitando-se à lei, que cumpriu perfeitamente, e lutando com as afrontas do mundo, as tentações de Satanás e as fraquezas da sua carne, quer as comuns à natureza do homem, quer as que particularmente acompanhavam aquela sua condição humilde.

P49Como se humilhou Cristo em sua morte?

Resposta

Cristo humilhou-se em sua morte em que, tendo sido traído por Judas, abandonado por seus discípulos, escarnecido e rejeitado pelo mundo, condenado por Pilatos e atormentado por seus perseguidores; tendo também lutado com os terrores da morte e com os poderes das trevas, e sentido e suportado o peso da ira de Deus, deu a sua vida como oferta pelo pecado, suportando a morte dolorosa, vergonhosa e maldita da cruz.

P50Em que consistiu a humilhação de Cristo depois da sua morte?

Resposta

A humilhação de Cristo depois da sua morte consistiu em ser sepultado e em permanecer no estado dos mortos e sob o poder da morte até o terceiro dia; o que tem sido expresso de outro modo nestas palavras: desceu ao inferno.

P51Qual foi o estado da exaltação de Cristo?

Resposta

O estado da exaltação de Cristo compreende a sua ressurreição, a sua ascensão, o estar sentado à direita do Pai e a sua vinda outra vez para julgar o mundo.

P52Como foi Cristo exaltado em sua ressurreição?

Resposta

Cristo foi exaltado em sua ressurreição em que, não tendo visto corrupção na morte (pela qual não era possível que fosse retido), e tendo o mesmíssimo corpo em que padeceu, com as suas propriedades essenciais (mas sem a mortalidade e outras fraquezas comuns pertencentes a esta vida), realmente unido à sua alma, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, por seu próprio poder; pelo que declarou ser o Filho de Deus, ter satisfeito a justiça divina, ter vencido a morte e aquele que tinha o poder dela, e ser Senhor de vivos e de mortos; tudo o que fez como pessoa pública, Cabeça da sua Igreja, para a justificação dela, para vivificá-la na graça, para sustentá-la contra os inimigos e para lhe assegurar a ressurreição dos mortos no último dia.

P53Como foi Cristo exaltado em sua ascensão?

Resposta

Cristo foi exaltado em sua ascensão em que, tendo depois da sua ressurreição aparecido muitas vezes aos seus apóstolos e conversado com eles, falando-lhes das coisas pertencentes ao reino de Deus e dando-lhes comissão de pregar o evangelho a todas as nações, quarenta dias depois da sua ressurreição ele, em nossa natureza e como nosso Cabeça, triunfando sobre os inimigos, subiu visivelmente ao mais alto dos céus, para ali receber dons para os homens, elevar para lá as nossas afeições e preparar-nos lugar onde ele mesmo está e estará até a sua segunda vinda, no fim do mundo.

P54Como é Cristo exaltado em estar sentado à direita de Deus?

Resposta

Cristo é exaltado em estar sentado à direita de Deus em que, como Deus-homem, é elevado ao mais alto favor junto de Deus Pai, com toda a plenitude de alegria, glória e poder sobre todas as coisas no céu e na terra; e reúne e defende a sua Igreja e subjuga os inimigos dela; provê os seus ministros e o seu povo de dons e graças, e intercede por eles.

P55Como intercede Cristo?

Resposta

Cristo intercede aparecendo continuamente, em nossa natureza, diante do Pai, no céu, nos méritos da sua obediência e do seu sacrifício na terra, declarando a sua vontade de que sejam aplicados a todos os crentes; respondendo a todas as acusações contra eles e alcançando-lhes paz de consciência, não obstante as faltas diárias, acesso com ousadia ao trono da graça e aceitação das suas pessoas e serviços.

P56Como há de ser Cristo exaltado em sua vinda outra vez para julgar o mundo?

Resposta

Cristo há de ser exaltado em sua vinda outra vez para julgar o mundo em que ele, que foi injustamente julgado e condenado por homens ímpios, virá outra vez no último dia, com grande poder e na plena manifestação da sua própria glória e da de seu Pai, com todos os seus santos anjos, com alarido, com voz de arcanjo e com a trombeta de Deus, para julgar o mundo com justiça.

P57Que benefícios alcançou Cristo pela sua mediação?

Resposta

Cristo, pela sua mediação, alcançou a redenção, com todos os outros benefícios do pacto da graça.

P58Como nos tornamos participantes dos benefícios que Cristo alcançou?

Resposta

Tornamo-nos participantes dos benefícios que Cristo alcançou pela aplicação deles a nós, que é obra especialmente de Deus Espírito Santo.

P59Quem se torna participante da redenção por meio de Cristo?

Resposta

A redenção é certamente aplicada e eficazmente comunicada a todos aqueles para quem Cristo a adquiriu, os quais são, no tempo devido, habilitados pelo Espírito Santo a crer em Cristo segundo o evangelho.

P60Podem os que nunca ouviram o evangelho, e assim não conhecem Jesus Cristo nem creem nele, ser salvos por viverem segundo a luz da natureza?

Resposta

Os que, nunca tendo ouvido o evangelho, não conhecem Jesus Cristo e não creem nele, não podem ser salvos, por mais diligentes que sejam em conformar a sua vida segundo a luz da natureza ou as leis da religião que professam; nem há salvação em nenhum outro, senão somente em Cristo, que é o Salvador somente do seu corpo, a Igreja.

P61São salvos todos os que ouvem o evangelho e vivem na Igreja?

Resposta

Nem todos os que ouvem o evangelho e vivem na Igreja visível são salvos, mas somente os que são verdadeiros membros da Igreja invisível.

P63Quais são os privilégios especiais da Igreja visível?

Resposta

A Igreja visível tem o privilégio de estar sob o cuidado e o governo especiais de Deus; de ser protegida e preservada em todas as épocas, não obstante a oposição de todos os inimigos; e de gozar da comunhão dos santos, dos meios ordinários de salvação e das ofertas de graça feitas por Cristo a todos os seus membros no ministério do evangelho, testificando que todo aquele que nele crer será salvo, e não excluindo nenhum dos que quiserem vir a ele.

P64Que é a Igreja invisível?

Resposta

A Igreja invisível é o número total dos eleitos que foram, são ou hão de ser reunidos em um só corpo sob Cristo, o Cabeça.

P65De que benefícios especiais gozam, por meio de Cristo, os membros da Igreja invisível?

Resposta

Os membros da Igreja invisível gozam, por meio de Cristo, de união e comunhão com ele em graça e em glória.

P66Que é a união que os eleitos têm com Cristo?

Resposta

A união que os eleitos têm com Cristo é a obra da graça de Deus pela qual eles são espiritual e misticamente, porém real e inseparavelmente, unidos a Cristo como seu Cabeça e Esposo; o que se realiza na sua vocação eficaz.

P67Que é a vocação eficaz?

Resposta

A vocação eficaz é a obra do poder onipotente e da graça de Deus, pela qual (por seu livre e especial amor aos seus eleitos, e não por coisa alguma neles que a isso o mova), no tempo por ele aceito, ele os convida e atrai a Jesus Cristo, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, iluminando salvadoramente os seus entendimentos, renovando e determinando poderosamente as suas vontades, de modo que eles (embora em si mesmos mortos no pecado) são por esse meio feitos dispostos e capazes de responder livremente ao seu chamado e de aceitar e abraçar a graça nele oferecida e comunicada.

P68Somente os eleitos são eficazmente chamados?

Resposta

Todos os eleitos, e somente eles, são eficazmente chamados; embora outros possam ser, e muitas vezes sejam, chamados exteriormente pelo ministério da Palavra e tenham algumas operações comuns do Espírito; os quais, por sua voluntária negligência e desprezo da graça que lhes é oferecida, sendo justamente deixados em sua incredulidade, nunca vêm verdadeiramente a Jesus Cristo.

P69Que é a comunhão em graça que os membros da Igreja invisível têm com Cristo?

Resposta

A comunhão em graça que os membros da Igreja invisível têm com Cristo é a sua participação da virtude da mediação dele, na sua justificação, adoção, santificação e em tudo o mais que, nesta vida, manifesta a sua união com ele.

P70Que é a justificação?

Resposta

A justificação é um ato da livre graça de Deus para com os pecadores, no qual ele perdoa todos os seus pecados, aceita e considera justas as suas pessoas diante de si, não por qualquer coisa neles operada ou por eles feita, mas somente pela perfeita obediência e plena satisfação de Cristo, por Deus imputadas a eles e recebidas somente pela fé.

P71Como é a justificação um ato da livre graça de Deus?

Resposta

Embora Cristo, por sua obediência e morte, tenha feito uma satisfação própria, real e plena à justiça de Deus em favor dos que são justificados, contudo, visto que Deus aceita a satisfação de um fiador, que poderia ter exigido deles, e proveu este fiador, o seu próprio Filho unigênito, imputando-lhes a justiça dele e nada exigindo deles para a sua justificação senão a fé, que também é dom seu, a justificação deles é, para eles, de livre graça.

P72Que é a fé justificadora?

Resposta

A fé justificadora é uma graça salvadora, operada no coração do pecador pelo Espírito e pela Palavra de Deus, pela qual ele, sendo convencido do seu pecado e miséria, e da incapacidade de si mesmo e de todas as outras criaturas para recuperá-lo da sua condição perdida, não somente assente à verdade da promessa do evangelho, mas recebe a Cristo e a sua justiça, nela apresentados, e neles descansa, para o perdão do pecado e para a aceitação e consideração da sua pessoa como justa diante de Deus, para a salvação.

P73Como justifica a fé o pecador diante de Deus?

Resposta

A fé justifica o pecador diante de Deus, não por causa das outras graças que sempre a acompanham, ou das boas obras que são frutos dela, nem como se a graça da fé, ou qualquer ato dela, lhe fosse imputada para a sua justificação, mas somente enquanto é um instrumento pelo qual ele recebe e aplica a si a Cristo e a sua justiça.

P74Que é a adoção?

Resposta

A adoção é um ato da livre graça de Deus, em seu Filho unigênito Jesus Cristo e por amor dele, pelo qual todos os que são justificados são recebidos no número dos seus filhos, têm sobre si o seu nome, recebem o Espírito de seu Filho, estão sob o seu cuidado e as suas dispensações paternais, são admitidos a todas as liberdades e privilégios dos filhos de Deus, feitos herdeiros de todas as promessas e co-herdeiros com Cristo na glória.

P75Que é a santificação?

Resposta

A santificação é uma obra da graça de Deus pela qual aqueles que Deus, antes da fundação do mundo, escolheu para serem santos, são, no tempo, pela poderosa operação do seu Espírito, que lhes aplica a morte e a ressurreição de Cristo, renovados no homem todo segundo a imagem de Deus; tendo as sementes do arrependimento para a vida e de todas as outras graças salvadoras postas em seus corações, e essas graças de tal modo despertadas, aumentadas e fortalecidas, que eles cada vez mais morrem para o pecado e ressurgem para a novidade de vida.

P76Que é o arrependimento para a vida?

Resposta

O arrependimento para a vida é uma graça salvadora, operada no coração do pecador pelo Espírito e pela Palavra de Deus, pela qual ele, vendo e sentindo não somente o perigo, mas também a imundícia e a odiosidade dos seus pecados, e apreendendo a misericórdia de Deus em Cristo para com os que se arrependem, de tal modo se entristece pelos seus pecados e os odeia, que se volta de todos eles para Deus, propondo-se e esforçando-se constantemente por andar com ele em todos os caminhos da nova obediência.

P77Em que diferem a justificação e a santificação?

Resposta

Embora a santificação esteja inseparavelmente unida à justificação, contudo diferem em que Deus, na justificação, imputa a justiça de Cristo; na santificação, o seu Espírito infunde a graça e habilita ao exercício dela; na primeira, o pecado é perdoado; na outra, é subjugado; uma livra igualmente todos os crentes da ira vingadora de Deus, e isto perfeitamente nesta vida, de modo que nunca caem em condenação; a outra nem é igual em todos, nem nesta vida é perfeita em nenhum, mas vai crescendo para a perfeição.

P78De onde provém a imperfeição da santificação nos crentes?

Resposta

A imperfeição da santificação nos crentes provém dos restos de pecado que permanecem em todas as partes deles e das perpétuas concupiscências da carne contra o espírito; pelo que são muitas vezes vencidos pelas tentações e caem em muitos pecados, são impedidos em todos os seus serviços espirituais, e as suas melhores obras são imperfeitas e contaminadas aos olhos de Deus.

P79Não podem os verdadeiros crentes, por causa das suas imperfeições e das muitas tentações e pecados que os surpreendem, decair do estado de graça?

Resposta

Os verdadeiros crentes, por causa do amor imutável de Deus e do seu decreto e pacto de lhes dar a perseverança, da sua união inseparável com Cristo, da contínua intercessão dele por eles e do Espírito e da semente de Deus que neles permanecem, não podem decair do estado de graça, nem total nem finalmente, mas são guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação.

P80Podem os verdadeiros crentes ter certeza infalível de que estão no estado de graça e de que nele perseverarão até a salvação?

Resposta

Os que verdadeiramente creem em Cristo e se esforçam por andar diante dele em toda a boa consciência podem, sem revelação extraordinária, pela fé fundada na verdade das promessas de Deus, e pelo Espírito, que os habilita a discernir em si mesmos as graças às quais são feitas as promessas de vida e que testifica com o espírito deles que são filhos de Deus, ter certeza infalível de que estão no estado de graça e de que nele perseverarão até a salvação.

P81Têm todos os verdadeiros crentes, em todo tempo, a certeza de que estão presentemente no estado de graça e de que serão salvos?

Resposta

Não sendo a certeza da graça e da salvação da essência da fé, os verdadeiros crentes podem esperar muito tempo antes de alcançá-la; e, depois de gozá-la, podem tê-la enfraquecida e interrompida por múltiplas perturbações, pecados, tentações e desamparos; contudo nunca são deixados sem aquela presença e sustento do Espírito de Deus que os guarda de afundar em total desespero.

P82Que é a comunhão em glória que os membros da Igreja invisível têm com Cristo?

Resposta

A comunhão em glória que os membros da Igreja invisível têm com Cristo dá-se nesta vida, imediatamente depois da morte, e afinal se aperfeiçoa na ressurreição e no dia do juízo.

P83Que comunhão em glória com Cristo gozam nesta vida os membros da Igreja invisível?

Resposta

Aos membros da Igreja invisível são comunicadas nesta vida as primícias da glória com Cristo, visto que são membros dele, seu Cabeça, e assim nele têm parte naquela glória que ele possui plenamente; e, como penhor dela, gozam do sentimento do amor de Deus, paz de consciência, alegria no Espírito Santo e esperança da glória; assim como, pelo contrário, o sentimento da ira vingadora de Deus, o horror de consciência e uma terrível expectação do juízo são para os ímpios o começo dos tormentos que hão de sofrer depois da morte.

P84Morrerão todos os homens?

Resposta

Tendo sido a morte cominada como salário do pecado, está ordenado a todos os homens morrerem uma vez, porquanto todos pecaram.

P85Sendo a morte o salário do pecado, por que não são os justos livrados da morte, visto que todos os seus pecados lhes são perdoados em Cristo?

Resposta

Os justos serão livrados da própria morte no último dia, e mesmo na morte são livres do aguilhão e da maldição dela; de modo que, embora morram, isso procede do amor de Deus, para libertá-los perfeitamente do pecado e da miséria e torná-los capazes de mais plena comunhão com Cristo na glória, na qual então entram.

P86Que comunhão em glória com Cristo gozam os membros da Igreja invisível imediatamente depois da morte?

Resposta

A comunhão em glória com Cristo que os membros da Igreja invisível gozam imediatamente depois da morte consiste em que as suas almas são então aperfeiçoadas em santidade e recebidas no mais alto dos céus, onde contemplam a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção dos seus corpos, que mesmo na morte continuam unidos a Cristo e descansam em suas sepulturas como em seus leitos, até que no último dia sejam novamente unidos às suas almas. Ao passo que as almas dos ímpios são, por ocasião da sua morte, lançadas no inferno, onde permanecem em tormentos e em densas trevas, e os seus corpos são guardados em suas sepulturas, como em suas prisões, até a ressurreição e o juízo do grande dia.

P87Que devemos crer acerca da ressurreição?

Resposta

Devemos crer que, no último dia, haverá uma ressurreição geral dos mortos, tanto dos justos como dos injustos; quando os que então forem achados vivos serão transformados num momento; e os mesmíssimos corpos dos mortos que foram depositados na sepultura, sendo então novamente unidos às suas almas para sempre, serão ressuscitados pelo poder de Cristo. Os corpos dos justos, pelo Espírito de Cristo e em virtude da ressurreição dele como seu Cabeça, serão ressuscitados em poder, espirituais, incorruptíveis, e feitos semelhantes ao seu corpo glorioso; e os corpos dos ímpios serão por ele ressuscitados em desonra, como por um juiz ofendido.

P88Que se seguirá imediatamente depois da ressurreição?

Resposta

Imediatamente depois da ressurreição seguir-se-á o juízo geral e final dos anjos e dos homens, cujo dia e hora ninguém sabe, para que todos vigiem e orem e estejam sempre preparados para a vinda do Senhor.

P89Que se fará aos ímpios no dia do juízo?

Resposta

No dia do juízo, os ímpios serão postos à esquerda de Cristo e, mediante clara evidência e plena convicção das suas próprias consciências, terão pronunciada contra si a terrível, porém justa, sentença de condenação; e em seguida serão lançados fora da favorável presença de Deus e da gloriosa comunhão com Cristo, com os seus santos e com todos os seus santos anjos, para o inferno, para serem punidos com tormentos indizíveis, tanto do corpo como da alma, com o diabo e os seus anjos, para sempre.

P90Que se fará aos justos no dia do juízo?

Resposta

No dia do juízo, os justos, sendo arrebatados para Cristo nas nuvens, serão postos à sua direita e ali, publicamente reconhecidos e absolvidos, unir-se-ão a ele no julgamento dos anjos e homens réprobos, e serão recebidos no céu, onde serão plena e eternamente livres de todo pecado e miséria; cheios de alegrias inconcebíveis; feitos perfeitamente santos e felizes, tanto no corpo como na alma, na companhia de inumeráveis santos e santos anjos, mas especialmente na visão e fruição imediatas de Deus Pai, de nosso Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo, por toda a eternidade. E esta é a perfeita e plena comunhão que os membros da Igreja invisível gozarão com Cristo na glória, na ressurreição e no dia do juízo.

P91Qual é o dever que Deus requer do homem?

Resposta

O dever que Deus requer do homem é a obediência à sua vontade revelada.

P92Que revelou Deus a princípio ao homem como regra da sua obediência?

Resposta

A regra de obediência revelada a Adão no estado de inocência, e a todo o gênero humano nele, além do mandamento especial de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, foi a lei moral.

P93Que é a lei moral?

Resposta

A lei moral é a declaração da vontade de Deus ao gênero humano, dirigindo e obrigando cada um a uma conformidade e obediência pessoal, perfeita e perpétua a ela, na disposição e inclinação do homem todo, alma e corpo, e no cumprimento de todos os deveres de santidade e justiça que ele deve a Deus e ao homem; prometendo a vida pelo seu cumprimento e ameaçando com a morte pela sua violação.

P94Tem a lei moral alguma utilidade para o homem desde a queda?

Resposta

Embora nenhum homem, desde a queda, possa alcançar a justiça e a vida pela lei moral, contudo ela é de grande utilidade, tanto de modo comum a todos os homens, como de modo peculiar, seja para os não regenerados, seja para os regenerados.

P95De que utilidade é a lei moral para todos os homens?

Resposta

A lei moral é útil a todos os homens para informá-los da santa natureza e da vontade de Deus, e do seu dever, obrigando-os a andar de acordo com ela; para convencê-los da sua incapacidade de guardá-la e da poluição pecaminosa da sua natureza, coração e vida; para humilhá-los no sentimento do seu pecado e miséria, e assim ajudá-los a ver mais claramente a necessidade que têm de Cristo e a perfeição da obediência dele.

P96Que utilidade particular tem a lei moral para os homens não regenerados?

Resposta

A lei moral é útil aos homens não regenerados para despertar as suas consciências a fugirem da ira vindoura e para impeli-los a Cristo; ou, se continuarem no estado e caminho do pecado, para deixá-los inescusáveis e sob a maldição dela.

P97Que utilidade especial tem a lei moral para os regenerados?

Resposta

Embora os que são regenerados e creem em Cristo estejam livres da lei moral como pacto de obras, de modo que por ela não são nem justificados nem condenados, contudo, além dos usos gerais dela, que lhes são comuns com todos os homens, ela lhes é de especial utilidade para mostrar-lhes quanto devem a Cristo por tê-la cumprido e suportado a maldição dela em lugar deles e para o seu bem; e assim para estimulá-los a maior gratidão, e a expressá-la em seu maior cuidado de se conformarem a ela, como regra da sua obediência.

P98Onde está a lei moral sumariamente compreendida?

Resposta

A lei moral está sumariamente compreendida nos dez mandamentos, que foram dados pela voz de Deus no monte Sinai e por ele escritos em duas tábuas de pedra, e que estão registrados no capítulo vinte do Êxodo; os quatro primeiros mandamentos contêm o nosso dever para com Deus, e os outros seis o nosso dever para com o homem.

P99Que regras devem ser observadas para o reto entendimento dos dez mandamentos?

Resposta

Para o reto entendimento dos dez mandamentos devem ser observadas estas regras: 1. Que a lei é perfeita e obriga cada um a plena conformidade, no homem todo, com a justiça dela, e a inteira obediência para sempre; de modo que exige a máxima perfeição de cada dever e proíbe o menor grau de cada pecado. 2. Que é espiritual, e assim alcança o entendimento, a vontade, as afeições e todas as outras faculdades da alma, bem como as palavras, as obras e os gestos. 3. Que uma e a mesma coisa, sob diversos aspectos, é exigida ou proibida em vários mandamentos. 4. Que, assim como, onde um dever é ordenado, o pecado contrário é proibido, e, onde um pecado é proibido, o dever contrário é ordenado, assim também, onde uma promessa está anexa, a ameaça contrária está incluída, e, onde uma ameaça está anexa, a promessa contrária está incluída. 5. Que o que Deus proíbe não deve ser feito em tempo algum; o que ele ordena é sempre nosso dever; e, contudo, nem todo dever particular deve ser cumprido em todo tempo. 6. Que, sob um pecado ou dever, são proibidos ou ordenados todos os do mesmo gênero, juntamente com todas as causas, meios, ocasiões e aparências deles, e as provocações a eles. 7. Que aquilo que nos é proibido ou ordenado a nós mesmos, estamos obrigados, segundo a nossa posição, a procurar que seja evitado ou cumprido por outros, segundo o dever da posição deles. 8. Que, naquilo que é ordenado a outros, estamos obrigados, segundo a nossa posição e vocação, a ajudá-los; e a guardar-nos de participar com outros naquilo que lhes é proibido.

P100Que coisas especiais devemos considerar nos dez mandamentos?

Resposta

Devemos considerar nos dez mandamentos o prefácio, a substância dos próprios mandamentos e as diversas razões anexas a alguns deles, para lhes dar mais força.

P101Qual é o prefácio dos dez mandamentos?

Resposta

O prefácio dos dez mandamentos está contido nestas palavras: Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Nelas Deus manifesta a sua soberania, como sendo JEOVÁ, o Deus eterno, imutável e todo-poderoso, que tem o seu ser em si e de si mesmo, e que dá existência a todas as suas palavras e obras; e que é um Deus em pacto, tanto com o antigo Israel como com todo o seu povo; o qual, assim como os tirou da sua escravidão no Egito, assim nos livra da nossa servidão espiritual; e que, portanto, estamos obrigados a tê-lo somente a ele por nosso Deus e a guardar todos os seus mandamentos.

P102Qual é o resumo dos quatro mandamentos que contêm o nosso dever para com Deus?

Resposta

O resumo dos quatro mandamentos que contêm o nosso dever para com Deus é amar ao Senhor nosso Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de todas as nossas forças e de todo o nosso entendimento.

P103Qual é o primeiro mandamento?

Resposta

O primeiro mandamento é: Não terás outros deuses diante de mim.

P104Quais são os deveres exigidos no primeiro mandamento?

Resposta

Os deveres exigidos no primeiro mandamento são: conhecer e reconhecer que Deus é o único Deus verdadeiro e o nosso Deus, e adorá-lo e glorificá-lo como tal, pensando nele, meditando nele, lembrando-nos dele, estimando-o altamente, honrando-o, adorando-o, escolhendo-o, amando-o, desejando-o, temendo-o; crendo nele; confiando, esperando, deleitando-nos e regozijando-nos nele; sendo zelosos por ele; invocando-o, dando-lhe todo louvor e ação de graças, e prestando-lhe toda obediência e submissão com o homem todo; sendo cuidadosos em todas as coisas para lhe agradar, e tristes quando em qualquer coisa ele é ofendido; e andando humildemente com ele.

P105Quais são os pecados proibidos no primeiro mandamento?

Resposta

Os pecados proibidos no primeiro mandamento são: o ateísmo, que nega a existência de Deus ou não tem Deus; a idolatria, que tem ou adora mais de um deus, ou algum juntamente com o verdadeiro Deus ou em lugar dele; não tê-lo e não confessá-lo por Deus e por nosso Deus; a omissão ou negligência de qualquer coisa que lhe é devida, exigida neste mandamento; a ignorância, o esquecimento, as concepções errôneas, as opiniões falsas, os pensamentos indignos e ímpios a respeito dele; o esquadrinhar ousado e curioso dos seus segredos; toda profanação e ódio a Deus; o amor-próprio, a busca de si mesmo e todo outro apego desordenado e imoderado do nosso entendimento, vontade ou afeições a outras coisas, desviando-os dele no todo ou em parte; a credulidade vã, a incredulidade, a heresia, a crença errônea, a desconfiança, o desespero, a incorrigibilidade e a insensibilidade sob os juízos, a dureza de coração, o orgulho, a presunção, a segurança carnal, o tentar a Deus; o uso de meios ilícitos e a confiança nos meios lícitos; os deleites e alegrias carnais; o zelo corrupto, cego e indiscreto; a tibieza e a insensibilidade nas coisas de Deus; o alienar-nos e apostatar de Deus; o orar ou prestar qualquer culto religioso aos santos, aos anjos ou a quaisquer outras criaturas; todos os pactos e consultas com o diabo e o dar ouvidos às suas sugestões; o fazer dos homens senhores da nossa fé e consciência; o menosprezar e desprezar a Deus e os seus mandamentos; o resistir ao seu Espírito e entristecê-lo; o descontentamento e a impaciência com as suas dispensações, acusando-o loucamente pelos males que nos inflige; e o atribuir o louvor de qualquer bem que somos, temos ou podemos fazer, à fortuna, aos ídolos, a nós mesmos ou a qualquer outra criatura.

P106Que nos ensinam especialmente as palavras "diante de mim" no primeiro mandamento?

Resposta

Estas palavras, "diante de mim", ou "diante da minha face", no primeiro mandamento, ensinam-nos que Deus, que vê todas as coisas, nota especialmente o pecado de ter qualquer outro deus e muito se desagrada dele; para que isso sirva de argumento para dissuadir-nos dele e para agravá-lo como provocação muito descarada; como também para persuadir-nos a fazer como em sua presença tudo quanto fazemos em seu serviço.

P107Qual é o segundo mandamento?

Resposta

O segundo mandamento é: Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.

P108Quais são os deveres exigidos no segundo mandamento?

Resposta

Os deveres exigidos no segundo mandamento são: receber, observar e guardar puros e íntegros todo o culto e todas as ordenanças religiosas que Deus instituiu em sua Palavra; particularmente a oração e a ação de graças em nome de Cristo; a leitura, a pregação e o ouvir da Palavra; a administração e a recepção dos sacramentos; o governo e a disciplina da Igreja; o ministério e o sustento dele; o jejum religioso; o jurar pelo nome de Deus e o fazer-lhe votos; como também desaprovar, detestar e opor-se a todo culto falso; e, segundo a posição e a vocação de cada um, removê-lo, bem como todos os monumentos de idolatria.

P109Quais são os pecados proibidos no segundo mandamento?

Resposta

Os pecados proibidos no segundo mandamento são: todo inventar, aconselhar, ordenar, usar e aprovar de qualquer modo algum culto religioso não instituído pelo próprio Deus; o tolerar uma religião falsa; o fazer qualquer representação de Deus, de todas as três pessoas ou de qualquer delas, quer interiormente em nossa mente, quer exteriormente em qualquer espécie de imagem ou semelhança de qualquer criatura; toda adoração dela, ou de Deus nela ou por meio dela; o fazer qualquer representação de divindades imaginárias, e todo culto a elas ou serviço que lhes pertença; todas as invenções supersticiosas, corrompendo o culto de Deus, acrescentando-lhe ou tirando-lhe alguma coisa, quer sejam inventadas e adotadas por nós mesmos, quer recebidas de outros por tradição, ainda que sob o título de antiguidade, costume, devoção, boa intenção ou qualquer outro pretexto; a simonia; o sacrilégio; toda negligência, desprezo, impedimento e oposição ao culto e às ordenanças que Deus designou.

P110Quais são as razões anexas ao segundo mandamento, para lhe dar mais força?

Resposta

As razões anexas ao segundo mandamento, para lhe dar mais força, contidas nestas palavras: Porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos, são, além da soberania de Deus sobre nós e do seu direito de propriedade sobre nós, o seu zelo ardente pelo seu próprio culto e a sua vingadora indignação contra todo culto falso, como sendo uma prostituição espiritual; considerando os violadores deste mandamento como pessoas que o odeiam e ameaçando castigá-los até diversas gerações; e estimando os que o observam como pessoas que o amam e guardam os seus mandamentos, e prometendo-lhes misericórdia até muitas gerações.

P111Qual é o terceiro mandamento?

Resposta

O terceiro mandamento é: Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

P112Que se exige no terceiro mandamento?

Resposta

O terceiro mandamento exige que o nome de Deus, os seus títulos, atributos, ordenanças, a Palavra, os sacramentos, a oração, os juramentos, os votos, as sortes, as suas obras e tudo o mais por meio de que ele se dá a conhecer, sejam usados santa e reverentemente, em pensamento, meditação, palavra e escrita, por uma santa profissão e um procedimento correspondente, para a glória de Deus e o bem de nós mesmos e dos outros.

P113Quais são os pecados proibidos no terceiro mandamento?

Resposta

Os pecados proibidos no terceiro mandamento são: o não usar o nome de Deus como é exigido; e o abuso dele, mencionando-o de modo ignorante, vão, irreverente, profano, supersticioso ou ímpio, ou usando de outro modo os seus títulos, atributos, ordenanças ou obras, por blasfêmia, perjúrio; todas as maldições, juramentos, votos e sortes pecaminosos; o violar os nossos juramentos e votos, se lícitos, e o cumpri-los, se de coisas ilícitas; o murmurar e contender contra os decretos e providências de Deus, o esquadrinhá-los curiosamente e o aplicá-los mal; o interpretar mal, aplicar mal ou perverter de qualquer modo a Palavra, ou qualquer parte dela, para gracejos profanos, questões curiosas ou inúteis, contendas vãs ou para sustentar doutrinas falsas; o abusar dela, das criaturas ou de qualquer coisa compreendida sob o nome de Deus, para encantamentos ou concupiscências e práticas pecaminosas; o difamar, escarnecer, injuriar ou opor-se de qualquer modo à verdade, à graça e aos caminhos de Deus; o fazer profissão de religião com hipocrisia ou para fins sinistros; o envergonhar-se dela, ou ser vergonha para ela, por um procedimento inconsequente, insensato, infrutífero e escandaloso, ou por apostatar dela.

P114Que razões estão anexas ao terceiro mandamento?

Resposta

As razões anexas ao terceiro mandamento, nestas palavras: o SENHOR teu Deus, e: porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão, são: que, porque ele é o Senhor e nosso Deus, o seu nome não deve ser profanado nem de modo algum abusado por nós; especialmente porque ele estará tão longe de absolver e poupar os transgressores deste mandamento, que não os deixará escapar do seu justo juízo, ainda que muitos deles escapem das censuras e castigos dos homens.

P115Qual é o quarto mandamento?

Resposta

O quarto mandamento é: Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou.

P116Que se exige no quarto mandamento?

Resposta

O quarto mandamento exige de todos os homens a santificação, ou o guardar santos para Deus, daqueles tempos determinados que ele designou em sua Palavra, expressamente um dia inteiro em cada sete; o qual foi o sétimo desde o princípio do mundo até a ressurreição de Cristo, e o primeiro dia da semana desde então, e assim deve continuar até o fim do mundo; o qual é o Sábado cristão, e no Novo Testamento é chamado Dia do Senhor.

P117Como deve ser santificado o Sábado ou Dia do Senhor?

Resposta

O Sábado ou Dia do Senhor deve ser santificado por um santo descanso durante todo o dia, não somente daquelas obras que são pecaminosas em todo tempo, mas até daqueles empregos e recreações mundanos que nos outros dias são lícitos; e fazendo o nosso deleite empregar todo o tempo (exceto a parte que deve ser ocupada em obras de necessidade e misericórdia) nos exercícios públicos e particulares do culto de Deus; e, para esse fim, devemos preparar os nossos corações e, com tal previdência, diligência e moderação, dispor e despachar a tempo os nossos negócios mundanos, que fiquemos mais livres e aptos para os deveres desse dia.

P118Por que a obrigação de guardar o Sábado é dirigida mais especialmente aos chefes de família e a outros superiores?

Resposta

A obrigação de guardar o Sábado é dirigida mais especialmente aos chefes de família e a outros superiores porque eles estão obrigados não somente a guardá-lo eles mesmos, mas a cuidar de que seja observado por todos os que estão sob a sua autoridade; e porque muitas vezes estão inclinados a impedi-los com ocupações que eles mesmos lhes dão.

P119Quais são os pecados proibidos no quarto mandamento?

Resposta

Os pecados proibidos no quarto mandamento são: todas as omissões dos deveres exigidos; todo cumprimento descuidado, negligente e infrutífero deles, e o cansar-se deles; toda profanação do dia pela ociosidade e pela prática do que em si mesmo é pecaminoso; e por todas as obras, palavras e pensamentos desnecessários acerca dos nossos empregos e recreações mundanos.

P120Quais são as razões anexas ao quarto mandamento, para lhe dar mais força?

Resposta

As razões anexas ao quarto mandamento, para lhe dar mais força, são tiradas da equidade dele, concedendo-nos Deus seis dias em sete para os nossos próprios negócios e reservando somente um para si, nestas palavras: Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra; de Deus reivindicar para si uma propriedade especial nesse dia: Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; do exemplo de Deus, que em seis dias fez os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; e daquela bênção que Deus pôs sobre esse dia, não somente santificando-o para ser um dia para o seu serviço, mas ordenando-o para ser um meio de bênção para nós quando o santificamos: portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou.

P121Por que está posta a palavra "Lembra-te" no princípio do quarto mandamento?

Resposta

A palavra "Lembra-te" está posta no princípio do quarto mandamento, em parte por causa do grande benefício de nos lembrarmos dele, sendo por isso ajudados em nossa preparação para guardá-lo e, guardando-o, a guardar melhor todos os outros mandamentos e a conservar uma grata lembrança dos dois grandes benefícios da criação e da redenção, que contêm um breve compêndio da religião; e em parte porque estamos muito prontos a esquecê-lo, visto que há menos luz da natureza a respeito dele, e contudo ele restringe a nossa liberdade natural em coisas lícitas em outros tempos; que ele vem somente uma vez em sete dias, e muitos negócios mundanos se interpõem e muito frequentemente desviam as nossas mentes de pensar nele, seja para nos prepararmos para ele, seja para santificá-lo; e que Satanás, com os seus instrumentos, muito se esforça por apagar a glória e até a memória dele, para introduzir toda irreligião e impiedade.

P122Qual é o resumo dos seis mandamentos que contêm o nosso dever para com o homem?

Resposta

O resumo dos seis mandamentos que contêm o nosso dever para com o homem é amar o nosso próximo como a nós mesmos e fazer aos outros o que queremos que nos façam.

P123Qual é o quinto mandamento?

Resposta

O quinto mandamento é: Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR teu Deus te dá.

P125Por que os superiores são chamados pai e mãe?

Resposta

Os superiores são chamados pai e mãe tanto para ensinar-lhes que, em todos os deveres para com os seus inferiores, devem, como os pais naturais, manifestar-lhes amor e ternura, segundo as suas diversas relações, como para levar os inferiores a maior boa vontade e alegria no cumprimento dos seus deveres para com os seus superiores, como para com os seus pais.

P126Qual é o escopo geral do quinto mandamento?

Resposta

O escopo geral do quinto mandamento é o cumprimento daqueles deveres que mutuamente devemos uns aos outros em nossas diversas relações, como inferiores, superiores ou iguais.

P127Qual é a honra que os inferiores devem aos seus superiores?

Resposta

A honra que os inferiores devem aos seus superiores é toda a devida reverência de coração, palavra e comportamento; oração e ação de graças por eles; imitação das suas virtudes e graças; obediência voluntária às suas ordens e conselhos legítimos; devida submissão às suas correções; fidelidade, defesa e sustento das suas pessoas e autoridade, segundo as suas diversas categorias e a natureza das suas posições; suportando as suas fraquezas e encobrindo-as em amor, para que assim sejam uma honra para eles e para o seu governo.

P128Quais são os pecados dos inferiores contra os seus superiores?

Resposta

Os pecados dos inferiores contra os seus superiores são: toda negligência dos deveres exigidos para com eles; a inveja, o desprezo e a rebelião contra as suas pessoas e posições, em seus conselhos, ordens e correções legítimos; a maldição, a zombaria e todo comportamento refratário e escandaloso que resulte em vergonha e desonra para eles e para o seu governo.

P129Que se exige dos superiores para com os seus inferiores?

Resposta

Exige-se dos superiores, segundo o poder que recebem de Deus e a relação em que estão, que amem os seus inferiores, orem por eles e os abençoem; que os instruam, aconselhem e admoestem; que favoreçam, louvem e recompensem os que fazem o bem, e desfavoreçam, repreendam e castiguem os que fazem o mal; que os protejam e lhes provejam todas as coisas necessárias para a alma e para o corpo; e que, por um comportamento grave, sábio, santo e exemplar, procurem glória para Deus e honra para si mesmos, e assim preservem a autoridade que Deus lhes conferiu.

P130Quais são os pecados dos superiores?

Resposta

Os pecados dos superiores são, além da negligência dos deveres deles exigidos: a busca desordenada de si mesmos, da sua própria glória, comodidade, proveito ou prazer; o ordenar coisas ilícitas, ou que não estejam ao alcance dos inferiores cumprir; o aconselhá-los, animá-los ou favorecê-los naquilo que é mau; o dissuadi-los, desanimá-los ou desfavorecê-los naquilo que é bom; o corrigi-los indevidamente; o expô-los descuidadamente, ou deixá-los expostos, à injustiça, à tentação e ao perigo; o provocá-los à ira; ou o desonrar-se de qualquer modo a si mesmos, ou diminuir a sua autoridade, por um comportamento injusto, indiscreto, rigoroso ou negligente.

P131Quais são os deveres dos iguais?

Resposta

Os deveres dos iguais são: considerar a dignidade e o valor uns dos outros, preferindo-se em honra uns aos outros; e alegrar-se com os dons e o progresso uns dos outros, como se fossem seus.

P132Quais são os pecados dos iguais?

Resposta

Os pecados dos iguais são, além da negligência dos deveres exigidos: o menosprezar o valor uns dos outros, o invejar os dons, o entristecer-se com o progresso ou a prosperidade uns dos outros, e o usurpar preeminência uns sobre os outros.

P133Qual é a razão anexa ao quinto mandamento, para lhe dar mais força?

Resposta

A razão anexa ao quinto mandamento, nestas palavras: para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR teu Deus te dá, é uma promessa expressa de longa vida e prosperidade, até onde servir para a glória de Deus e para o bem deles mesmos, a todos os que guardam este mandamento.

P134Qual é o sexto mandamento?

Resposta

O sexto mandamento é: Não matarás.

P135Quais são os deveres exigidos no sexto mandamento?

Resposta

Os deveres exigidos no sexto mandamento são: todo cuidadoso empenho e todos os esforços lícitos para preservar a nossa vida e a dos outros, resistindo a todos os pensamentos e propósitos, subjugando todas as paixões e evitando todas as ocasiões, tentações e práticas que tendem a tirar injustamente a vida de alguém; pela justa defesa dela contra a violência; pela paciência sob a mão de Deus, tranquilidade de ânimo, alegria de espírito; pelo uso sóbrio de alimento, bebida, remédios, sono, trabalho e recreações; por pensamentos caridosos, amor, compaixão, mansidão, brandura, bondade; por palavras e comportamento pacíficos, suaves e corteses; pela tolerância, prontidão para a reconciliação, paciência em suportar e perdoar as injúrias e retribuição do bem pelo mal; por confortar e socorrer os aflitos e proteger e defender os inocentes.

P136Quais são os pecados proibidos no sexto mandamento?

Resposta

Os pecados proibidos no sexto mandamento são: todo tirar a nossa própria vida ou a dos outros, exceto no caso de justiça pública, guerra legítima ou defesa necessária; o negligenciar ou retirar os meios lícitos e necessários para a preservação da vida; a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas e cuidados que perturbam; o uso imoderado de alimento, bebida, trabalho e recreações; as palavras provocadoras, a opressão, as contendas, o espancar, o ferir e tudo o mais que tende à destruição da vida de alguém.

P137Qual é o sétimo mandamento?

Resposta

O sétimo mandamento é: Não adulterarás.

P138Quais são os deveres exigidos no sétimo mandamento?

Resposta

Os deveres exigidos no sétimo mandamento são: a castidade no corpo, na mente, nas afeições, nas palavras e no comportamento, e a preservação dela em nós mesmos e nos outros; a vigilância sobre os olhos e todos os sentidos; a temperança; a convivência com companhias castas; a modéstia no vestuário; o casamento para os que não têm o dom da continência; o amor conjugal e a coabitação; o trabalho diligente em nossas vocações; o evitar todas as ocasiões de impureza e o resistir às tentações a ela.

P139Quais são os pecados proibidos no sétimo mandamento?

Resposta

Os pecados proibidos no sétimo mandamento, além da negligência dos deveres exigidos, são: o adultério, a fornicação, o estupro, o incesto, a sodomia e todas as concupiscências contrárias à natureza; todas as imaginações, pensamentos, propósitos e afeições impuros; todas as conversas corruptas ou obscenas, ou o dar-lhes ouvidos; os olhares lascivos, o comportamento impudente ou leviano, o vestuário imodesto; o proibir casamentos lícitos e o dispensar casamentos ilícitos; o permitir, tolerar ou manter prostíbulos e o frequentá-los; os votos de celibato que enredam a consciência; a demora indevida do casamento; o ter mais de uma esposa ou mais de um marido ao mesmo tempo; o divórcio injusto ou a deserção; a ociosidade, a glutonaria, a embriaguez, as companhias impuras; as canções, livros, pinturas, danças e espetáculos de teatro lascivos; e todas as outras provocações à impureza, ou atos dela, quer em nós mesmos, quer nos outros.

P140Qual é o oitavo mandamento?

Resposta

O oitavo mandamento é: Não furtarás.

P141Quais são os deveres exigidos no oitavo mandamento?

Resposta

Os deveres exigidos no oitavo mandamento são: a verdade, a fidelidade e a justiça nos contratos e no comércio entre os homens; o dar a cada um o que lhe é devido; a restituição dos bens retidos ilicitamente aos seus legítimos donos; o dar e emprestar livremente, segundo as nossas posses e as necessidades dos outros; a moderação dos nossos juízos, vontades e afeições a respeito dos bens deste mundo; o cuidado previdente e o empenho em adquirir, conservar, usar e dispor das coisas que são necessárias e convenientes para o sustento da nossa natureza e adequadas à nossa condição; uma vocação lícita e diligência nela; a frugalidade; o evitar demandas desnecessárias e fianças, ou outros compromissos semelhantes; e o esforço, por todos os meios justos e lícitos, para procurar, preservar e promover a riqueza e o estado exterior dos outros, assim como os nossos.

P142Quais são os pecados proibidos no oitavo mandamento?

Resposta

Os pecados proibidos no oitavo mandamento, além da negligência dos deveres exigidos, são: o furto, o roubo, o sequestro de pessoas e o receber qualquer coisa furtada; o procedimento fraudulento, os pesos e medidas falsos, a remoção de marcos, a injustiça e a infidelidade nos contratos entre os homens ou em matérias de confiança; a opressão, a extorsão, a usura, o suborno, as demandas vexatórias, os cercamentos injustos de terras e os despovoamentos; o açambarcar mercadorias para elevar o preço; as vocações ilícitas e todos os outros modos injustos ou pecaminosos de tirar ou reter do nosso próximo o que lhe pertence, ou de enriquecer-nos a nós mesmos; a cobiça; o apreço e o apego desordenados aos bens deste mundo; os cuidados e empenhos desconfiados e inquietantes em adquiri-los, conservá-los e usá-los; o invejar a prosperidade dos outros; como também a ociosidade, a prodigalidade, os jogos ruinosos e todos os outros modos pelos quais prejudicamos indevidamente o nosso próprio estado exterior, e o defraudar-nos a nós mesmos do devido uso e conforto daquilo que Deus nos deu.

P143Qual é o nono mandamento?

Resposta

O nono mandamento é: Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

P144Quais são os deveres exigidos no nono mandamento?

Resposta

Os deveres exigidos no nono mandamento são: preservar e promover a verdade entre os homens, e o bom nome do nosso próximo, assim como o nosso; comparecer e permanecer em favor da verdade; e, de coração, sincera, livre, clara e plenamente, falar a verdade, e somente a verdade, em matérias de juízo e justiça e em todas as outras coisas; a estima caridosa do nosso próximo; o amar, desejar e alegrar-se com o seu bom nome; o entristecer-se pelas suas fraquezas e encobri-las; o reconhecer livremente os seus dons e graças, defendendo a sua inocência; o receber prontamente um bom relato a respeito dele e a má vontade em admitir um mau relato; o desencorajar os mexeriqueiros, os aduladores e os caluniadores; o amor e o cuidado do nosso próprio bom nome, e a defesa dele quando necessário; o cumprimento das promessas lícitas; o estudo e a prática de tudo o que é verdadeiro, honesto, amável e de boa fama.

P145Quais são os pecados proibidos no nono mandamento?

Resposta

Os pecados proibidos no nono mandamento são: todo prejuízo à verdade e ao bom nome do nosso próximo, assim como ao nosso, especialmente nos tribunais públicos; o dar falso testemunho, o subornar falsas testemunhas, o comparecer e advogar conscientemente em favor de uma causa má, o afrontar e sufocar a verdade; o proferir sentença injusta, o chamar ao mal bem e ao bem mal; o recompensar os ímpios segundo a obra dos justos, e os justos segundo a obra dos ímpios; a falsificação, o ocultar a verdade, o silêncio indevido numa causa justa e o calar-nos quando a iniquidade reclama ou uma repreensão da nossa parte ou uma queixa a outros; o falar a verdade fora de tempo, ou maliciosamente, para um fim errado, ou pervertê-la para um sentido errado, ou em expressões duvidosas e equívocas, em prejuízo da verdade ou da justiça; o falar inverdades, a mentira, a calúnia, a maledicência, a detração, o mexerico, a murmuração, a zombaria, a injúria, a censura temerária, áspera e parcial; o interpretar mal intenções, palavras e ações; a adulação, a jactância vangloriosa, o pensar ou falar de modo demasiadamente elevado ou demasiadamente baixo de nós mesmos ou dos outros; o negar os dons e as graças de Deus; o agravar faltas menores; o esconder, desculpar ou atenuar os pecados, quando chamados a uma livre confissão; o descobrir sem necessidade as fraquezas alheias; o levantar falsos rumores, o receber e favorecer más notícias e o fechar os ouvidos à justa defesa; a suspeita maligna; o invejar o merecido crédito de alguém ou entristecer-se com ele, o esforçar-se ou desejar diminuí-lo, o alegrar-se com a sua desgraça e infâmia; o desprezo escarnecedor, a admiração tola; a quebra de promessas lícitas; o negligenciar as coisas que são de boa fama, e o praticar, ou não evitar em nós mesmos, ou não impedir nos outros quanto pudermos, as coisas que trazem má fama.

P146Qual é o décimo mandamento?

Resposta

O décimo mandamento é: Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

P147Quais são os deveres exigidos no décimo mandamento?

Resposta

Os deveres exigidos no décimo mandamento são: tal pleno contentamento com a nossa própria condição, e tal disposição caridosa da alma toda para com o nosso próximo, que todos os nossos movimentos e afeições interiores a respeito dele tendam a todo o bem que é dele e o promovam.

P150São todas as transgressões da lei de Deus igualmente hediondas em si mesmas e aos olhos de Deus?

Resposta

Nem todas as transgressões da lei de Deus são igualmente hediondas; mas alguns pecados, em si mesmos e em razão de diversas agravantes, são mais hediondos aos olhos de Deus do que outros.

P151Quais são as agravantes que tornam alguns pecados mais hediondos do que outros?

Resposta

Os pecados recebem as suas agravantes: 1. Das pessoas que ofendem: se forem de idade mais madura, de maior experiência ou graça, eminentes em profissão, dons, posição, ofício, se forem guias de outros e se o seu exemplo for provavelmente seguido por outros. 2. Das partes ofendidas: se o pecado for imediatamente contra Deus, os seus atributos e o seu culto; contra Cristo e a sua graça; contra o Espírito Santo, o seu testemunho e as suas operações; contra os superiores, os homens eminentes e aqueles com quem temos relação e compromisso especiais; contra qualquer dos santos, particularmente os irmãos fracos, contra as almas deles ou de quaisquer outros, e contra o bem comum de todos ou de muitos. 3. Da natureza e qualidade da ofensa: se for contra a letra expressa da lei, quebrar muitos mandamentos, contiver em si muitos pecados; se não for somente concebida no coração, mas irromper em palavras e ações, escandalizar outros e não admitir reparação; se for contra os meios, as misericórdias, os juízos, a luz da natureza, a convicção da consciência, a admoestação pública ou particular, as censuras da Igreja, os castigos civis; e contra as nossas orações, propósitos, promessas, votos, pactos e compromissos com Deus ou com os homens; se for cometida deliberada, voluntária, presunçosa, impudente, jactanciosa, maliciosa, frequente e obstinadamente, com deleite, com continuidade, ou recaindo depois do arrependimento. 4. Das circunstâncias de tempo e lugar: se for no Dia do Senhor ou em outros tempos de culto divino; ou imediatamente antes ou depois destes, ou de outros auxílios para prevenir ou remediar tais faltas; se for em público, ou na presença de outros, que por isso provavelmente serão provocados ou contaminados.

P153Que exige Deus de nós para que escapemos da sua ira e maldição, que nos são devidas por causa da transgressão da lei?

Resposta

Para que escapemos da ira e da maldição de Deus, que nos são devidas por causa da transgressão da lei, ele exige de nós o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, e o uso diligente dos meios exteriores pelos quais Cristo nos comunica os benefícios da sua mediação.

P154Quais são os meios exteriores pelos quais Cristo nos comunica os benefícios da sua mediação?

Resposta

Os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo comunica à sua Igreja os benefícios da sua mediação são todas as suas ordenanças, especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração; todas as quais se tornam eficazes para os eleitos, para a sua salvação.

P155Como se torna a Palavra eficaz para a salvação?

Resposta

O Espírito de Deus torna a leitura, mas especialmente a pregação da Palavra, um meio eficaz de iluminar, convencer e humilhar os pecadores; de tirá-los de si mesmos e atraí-los a Cristo; de conformá-los à sua imagem e sujeitá-los à sua vontade; de fortalecê-los contra as tentações e corrupções; de edificá-los na graça e estabelecer os seus corações em santidade e conforto, mediante a fé, para a salvação.

P156Deve a Palavra de Deus ser lida por todos?

Resposta

Ainda que nem a todos se deva permitir ler publicamente a Palavra à congregação, contudo todas as espécies de pessoas estão obrigadas a lê-la à parte, por si mesmas, e com as suas famílias; para cujo fim as Santas Escrituras devem ser traduzidas dos originais para as línguas vulgares.

P157Como deve ser lida a Palavra de Deus?

Resposta

As Santas Escrituras devem ser lidas com elevada e reverente estima delas; com firme persuasão de que são a própria Palavra de Deus e de que somente ele pode habilitar-nos a entendê-las; com desejo de conhecer, crer e obedecer à vontade de Deus nelas revelada; com diligência e atenção à matéria e ao escopo delas; com meditação, aplicação, abnegação e oração.

P159Como deve ser pregada a Palavra de Deus por aqueles que são chamados para isso?

Resposta

Os que são chamados a trabalhar no ministério da Palavra devem pregar a sã doutrina: diligentemente, a tempo e fora de tempo; claramente, não com palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder; fielmente, dando a conhecer todo o conselho de Deus; sabiamente, adaptando-se às necessidades e capacidades dos ouvintes; zelosamente, com amor fervoroso a Deus e às almas do seu povo; sinceramente, visando à glória dele e à conversão, edificação e salvação do seu povo.

P160Que se exige dos que ouvem a Palavra pregada?

Resposta

Exige-se dos que ouvem a Palavra pregada que a atendam com diligência, preparação e oração; que examinem pelas Escrituras o que ouvem; que recebam a verdade com fé, amor, mansidão e prontidão de ânimo, como Palavra de Deus; que meditem nela e conversem sobre ela; que a guardem em seus corações e produzam o fruto dela em sua vida.

P161Como se tornam os sacramentos meios eficazes de salvação?

Resposta

Os sacramentos tornam-se meios eficazes de salvação, não por algum poder que haja neles mesmos, ou por alguma virtude derivada da piedade ou da intenção daquele por quem são administrados, mas somente pela operação do Espírito Santo e pela bênção de Cristo, por quem foram instituídos.

P162Que é um sacramento?

Resposta

Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo em sua Igreja, para significar, selar e exibir àqueles que estão dentro do pacto da graça os benefícios da sua mediação; para fortalecer e aumentar a sua fé e todas as outras graças; para obrigá-los à obediência; para testificar e alimentar o seu amor e comunhão uns com os outros; e para distingui-los dos que estão de fora.

P163Quais são as partes de um sacramento?

Resposta

As partes de um sacramento são duas: uma, um sinal exterior e sensível, usado segundo a própria designação de Cristo; a outra, uma graça interior e espiritual por ele significada.

P164Quantos sacramentos instituiu Cristo em sua Igreja sob o Novo Testamento?

Resposta

Sob o Novo Testamento, Cristo instituiu em sua Igreja somente dois sacramentos: o Batismo e a Ceia do Senhor.

P165Que é o Batismo?

Resposta

O Batismo é um sacramento do Novo Testamento, no qual Cristo ordenou que a lavagem com água, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, seja sinal e selo da união com ele mesmo, da remissão dos pecados pelo seu sangue e da regeneração pelo seu Espírito, da adoção e da ressurreição para a vida eterna; e pelo qual as pessoas batizadas são solenemente admitidas na Igreja visível e entram num compromisso aberto e professo de serem inteira e unicamente do Senhor.

P166A quem deve ser administrado o Batismo?

Resposta

O Batismo não deve ser administrado a nenhum dos que estão fora da Igreja visível, e assim estranhos ao pacto da promessa, enquanto não professarem a sua fé em Cristo e obediência a ele; mas as crianças que descendem de pais que, ambos ou somente um deles, professam fé em Cristo e obediência a ele, estão, nesse respeito, dentro do pacto e devem ser batizadas.

P167Como devemos aproveitar o nosso Batismo?

Resposta

O necessário, mas muito negligenciado, dever de aproveitar o nosso Batismo deve ser cumprido por nós durante toda a nossa vida, especialmente no tempo da tentação e quando estamos presentes à administração dele a outros: pela séria e grata consideração da sua natureza e dos fins para os quais Cristo o instituiu, dos privilégios e benefícios por ele conferidos e selados, e do voto solene que nele fizemos; pela humilhação por nossa contaminação pecaminosa, por ficarmos aquém da graça do batismo e dos nossos compromissos e por andarmos em sentido contrário a eles; pelo crescimento até a certeza do perdão do pecado e de todas as outras bênçãos que nos foram seladas nesse sacramento; tirando força da morte e ressurreição de Cristo, em quem somos batizados, para a mortificação do pecado e a vivificação da graça; e esforçando-nos por viver pela fé, por ter o nosso procedimento em santidade e justiça, como aqueles que nele deram os seus nomes a Cristo, e por andar em amor fraternal, como batizados pelo mesmo Espírito em um só corpo.

P168Que é a Ceia do Senhor?

Resposta

A Ceia do Senhor é um sacramento do Novo Testamento, no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho segundo a designação de Jesus Cristo, é anunciada a sua morte; e os que dignamente participam alimentam-se do seu corpo e do seu sangue, para o seu nutrimento espiritual e crescimento na graça; têm confirmada a sua união e comunhão com ele; testificam e renovam a sua gratidão e o seu compromisso para com Deus, e o seu amor e comunhão mútuos, como membros do mesmo corpo místico.

P169Como designou Cristo que o pão e o vinho sejam dados e recebidos no sacramento da Ceia do Senhor?

Resposta

Cristo designou os ministros da sua Palavra para, na administração deste sacramento da Ceia do Senhor, separarem do uso comum o pão e o vinho, pela palavra da instituição, ação de graças e oração; tomarem e partirem o pão e darem tanto o pão como o vinho aos comungantes; os quais, pela mesma designação, devem tomar e comer o pão e beber o vinho, em grata lembrança de que o corpo de Cristo foi partido e dado, e o seu sangue derramado, por eles.

P170Como se alimentam do corpo e do sangue de Cristo os que dignamente participam da Ceia do Senhor?

Resposta

Assim como o corpo e o sangue de Cristo não estão corporal ou carnalmente presentes no pão e no vinho da Ceia do Senhor, com eles ou sob eles, e contudo estão espiritualmente presentes à fé de quem os recebe, não menos verdadeira e realmente do que os próprios elementos o estão aos seus sentidos exteriores, assim também os que dignamente participam do sacramento da Ceia do Senhor alimentam-se nele do corpo e do sangue de Cristo, não de modo corporal e carnal, mas de modo espiritual; contudo, verdadeira e realmente, enquanto pela fé recebem e aplicam a si mesmos a Cristo crucificado e todos os benefícios da sua morte.

P171Como devem preparar-se, antes de se aproximarem dele, os que recebem o sacramento da Ceia do Senhor?

Resposta

Os que recebem o sacramento da Ceia do Senhor devem, antes de se aproximarem, preparar-se para ele examinando-se a si mesmos quanto a estarem em Cristo, quanto aos seus pecados e necessidades; quanto à verdade e à medida do seu conhecimento, fé e arrependimento, do seu amor a Deus e aos irmãos, da sua caridade para com todos os homens, perdoando os que lhes fizeram mal; quanto aos seus desejos de Cristo e à sua nova obediência; e renovando o exercício destas graças, por séria meditação e fervorosa oração.

P172Pode aproximar-se da Ceia do Senhor aquele que duvida de estar em Cristo ou da sua devida preparação?

Resposta

Aquele que duvida de estar em Cristo, ou da sua devida preparação para o sacramento da Ceia do Senhor, pode ter verdadeira parte em Cristo, embora ainda não esteja seguro disso; e, na estimação de Deus, tem-na, se estiver devidamente afetado pela apreensão da falta dela e desejar sinceramente ser achado em Cristo e apartar-se da iniquidade; em tal caso (porque as promessas são feitas, e este sacramento é designado, para o alívio até dos cristãos fracos e duvidosos), deve lamentar a sua incredulidade e esforçar-se para que as suas dúvidas sejam resolvidas; e, fazendo assim, pode e deve aproximar-se da Ceia do Senhor, para ser mais fortalecido.

P173Podem ser impedidos de participar da Ceia do Senhor alguns que professam a fé e desejam aproximar-se dela?

Resposta

Os que forem achados ignorantes ou escandalosos, não obstante a sua profissão de fé e o seu desejo de aproximar-se da Ceia do Senhor, podem e devem ser impedidos de participar desse sacramento, pelo poder que Cristo deixou em sua Igreja, até que recebam instrução e manifestem a sua reforma.

P174Que se exige dos que recebem o sacramento da Ceia do Senhor durante a sua administração?

Resposta

Exige-se dos que recebem o sacramento da Ceia do Senhor que, durante o tempo da sua administração, com toda santa reverência e atenção, esperem em Deus nessa ordenança; observem diligentemente os elementos e as ações sacramentais; discirnam atentamente o corpo do Senhor; e meditem afetuosamente na sua morte e nos seus sofrimentos, e assim se despertem para um exercício vigoroso das suas graças: julgando-se a si mesmos e entristecendo-se pelo pecado; com fervorosa fome e sede de Cristo, alimentando-se dele pela fé, recebendo da sua plenitude, confiando nos seus méritos, regozijando-se no seu amor, dando graças pela sua graça; e renovando o seu pacto com Deus e o seu amor a todos os santos.

P175Qual é o dever dos cristãos depois de terem recebido o sacramento da Ceia do Senhor?

Resposta

O dever dos cristãos, depois de terem recebido o sacramento da Ceia do Senhor, é considerar seriamente como se portaram nele e com que proveito; se acharem vivificação e conforto, devem bendizer a Deus por isso, pedir a continuação dele, vigiar contra as recaídas, cumprir os seus votos e animar-se a frequentar assiduamente essa ordenança; mas, se não acharem benefício presente, devem rever mais exatamente a sua preparação para o sacramento e o seu comportamento nele; e, se em ambos puderem aprovar-se diante de Deus e das suas próprias consciências, devem esperar o fruto dele no tempo devido; mas, se virem que falharam em qualquer deles, devem humilhar-se e, depois, participar dele com mais cuidado e diligência.

P177Em que diferem os sacramentos do Batismo e da Ceia do Senhor?

Resposta

Os sacramentos do Batismo e da Ceia do Senhor diferem em que o Batismo deve ser administrado uma só vez, com água, para ser sinal e selo da nossa regeneração e união com Cristo, e isso até às crianças; ao passo que a Ceia do Senhor deve ser administrada frequentemente, nos elementos do pão e do vinho, para representar e exibir Cristo como alimento espiritual para a alma e confirmar a nossa permanência e crescimento nele, e isso somente aos que têm idade e capacidade para examinar-se a si mesmos.

P178Que é a oração?

Resposta

A oração é um oferecimento dos nossos desejos a Deus, em nome de Cristo, com o auxílio do seu Espírito, com confissão dos nossos pecados e grato reconhecimento das suas misericórdias.

P179Devemos orar somente a Deus?

Resposta

Sendo somente Deus capaz de sondar os corações, ouvir os pedidos, perdoar os pecados e cumprir os desejos de todos, e sendo somente ele quem deve ser crido e adorado com culto religioso, a oração, que é parte especial desse culto, deve ser feita por todos somente a ele e a nenhum outro.

P180Que é orar em nome de Cristo?

Resposta

Orar em nome de Cristo é, em obediência ao seu mandamento e com confiança nas suas promessas, pedir misericórdia por amor dele; não pela simples menção do seu nome, mas tirando de Cristo e da sua mediação o nosso ânimo para orar e a nossa ousadia, força e esperança de sermos aceitos na oração.

P181Por que devemos orar em nome de Cristo?

Resposta

Sendo tão grande a pecaminosidade do homem e a sua distância de Deus por causa dela, que não podemos ter acesso à sua presença sem um mediador; e não havendo no céu nem na terra nenhum outro designado para essa gloriosa obra, ou apto para ela, senão somente Cristo, não devemos orar em nenhum outro nome senão no dele somente.

P182Como nos ajuda o Espírito a orar?

Resposta

Não sabendo nós o que havemos de pedir como convém, o Espírito ajuda as nossas fraquezas, habilitando-nos a entender por quem, pelo que e como se deve orar; e operando e despertando em nossos corações (embora não em todas as pessoas, nem em todos os tempos, na mesma medida) aquelas apreensões, afeições e graças que são necessárias para o reto cumprimento desse dever.

P183Por quem devemos orar?

Resposta

Devemos orar por toda a Igreja de Cristo sobre a terra; pelos magistrados e pelos ministros; por nós mesmos, por nossos irmãos e até por nossos inimigos; e por toda espécie de homens que vivem agora ou que hão de viver depois; mas não pelos mortos, nem por aqueles de quem se sabe que cometeram o pecado para a morte.

P184Por que coisas devemos orar?

Resposta

Devemos orar por todas as coisas que tendem à glória de Deus, ao bem-estar da Igreja e ao nosso bem ou ao dos outros; mas não por coisa alguma que seja ilícita.

P186Que regra nos deu Deus para nos dirigir no dever da oração?

Resposta

Toda a Palavra de Deus é útil para nos dirigir no dever da oração; mas a regra especial de direção é aquela forma de oração que o nosso Salvador Cristo ensinou aos seus discípulos, comumente chamada a Oração do Senhor.

P187Como se deve usar a Oração do Senhor?

Resposta

A Oração do Senhor não serve somente de direção, como modelo segundo o qual devemos fazer outras orações, mas pode também ser usada como oração, contanto que isso se faça com entendimento, fé, reverência e as outras graças necessárias ao reto cumprimento do dever da oração.

P188De quantas partes consta a Oração do Senhor?

Resposta

A Oração do Senhor consta de três partes: um prefácio, as petições e uma conclusão.

P189Que nos ensina o prefácio da Oração do Senhor?

Resposta

O prefácio da Oração do Senhor (contido nestas palavras: Pai nosso, que estás nos céus) ensina-nos que, quando oramos, devemos aproximar-nos de Deus com confiança na sua bondade paternal e na parte que nela temos; com reverência e todas as outras disposições filiais, afeições celestiais e devidas apreensões do seu poder soberano, da sua majestade e da sua graciosa condescendência; como também a orar com os outros e pelos outros.

P190Que pedimos na primeira petição?

Resposta

Na primeira petição (que é: Santificado seja o teu nome), reconhecendo a completa incapacidade e indisposição que há em nós mesmos e em todos os homens para honrar a Deus como convém, pedimos que Deus, por sua graça, habilite e incline a nós e aos outros a conhecê-lo, reconhecê-lo e estimá-lo altamente, a ele, aos seus títulos, atributos, ordenanças, Palavra, obras e a tudo aquilo por meio de que lhe apraz dar-se a conhecer; e a glorificá-lo em pensamento, palavra e obra; que ele previna e remova o ateísmo, a ignorância, a idolatria, a profanação e tudo o que lhe é desonroso; e que, por sua providência soberana, dirija e disponha todas as coisas para a sua própria glória.

P191Que pedimos na segunda petição?

Resposta

Na segunda petição (que é: Venha o teu reino), reconhecendo que nós mesmos e todo o gênero humano estamos por natureza sob o domínio do pecado e de Satanás, pedimos que o reino do pecado e de Satanás seja destruído, o evangelho propagado por todo o mundo, os judeus chamados e a plenitude dos gentios introduzida; que a Igreja seja provida de todos os oficiais e ordenanças do evangelho, purificada da corrupção, favorecida e mantida pelo magistrado civil; que as ordenanças de Cristo sejam ministradas com pureza e se tornem eficazes para a conversão dos que ainda estão em seus pecados e para a confirmação, conforto e edificação dos que já estão convertidos; que Cristo reine aqui em nossos corações e apresse o tempo da sua segunda vinda e do nosso reinado com ele para sempre; e que lhe apraza exercer o reino do seu poder em todo o mundo do modo que melhor conduza a estes fins.

P192Que pedimos na terceira petição?

Resposta

Na terceira petição (que é: Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu), reconhecendo que, por natureza, nós e todos os homens não somente somos inteiramente incapazes de conhecer e fazer a vontade de Deus e não temos vontade de fazê-lo, mas somos propensos a rebelar-nos contra a sua Palavra, a queixar-nos e murmurar contra a sua providência, e inteiramente inclinados a fazer a vontade da carne e do diabo, pedimos que Deus, pelo seu Espírito, tire de nós mesmos e dos outros toda cegueira, fraqueza, indisposição e perversidade de coração; e que, por sua graça, nos torne capazes e desejosos de conhecer, fazer e submeter-nos à sua vontade em todas as coisas, com a mesma humildade, alegria, fidelidade, diligência, zelo, sinceridade e constância com que os anjos o fazem no céu.

P193Que pedimos na quarta petição?

Resposta

Na quarta petição (que é: O pão nosso de cada dia nos dá hoje), reconhecendo que em Adão, e por nosso próprio pecado, perdemos o nosso direito a todas as bênçãos exteriores desta vida e merecemos ser inteiramente privados delas por Deus e que elas nos sejam amaldiçoadas no seu uso; e que nem elas por si mesmas são capazes de nos sustentar, nem nós de merecê-las ou de obtê-las pela nossa própria indústria, mas somos propensos a desejá-las, adquiri-las e usá-las ilicitamente, pedimos para nós mesmos e para os outros que, tanto eles como nós, esperando na providência de Deus dia após dia, no uso de meios lícitos, possamos, por dom gratuito dele e conforme parecer melhor à sua sabedoria paternal, gozar de uma porção suficiente delas; que estas nos sejam continuadas e abençoadas no seu uso santo e confortável e no contentamento com elas; e que sejamos guardados de todas as coisas que são contrárias ao nosso sustento e conforto temporais.

P194Que pedimos na quinta petição?

Resposta

Na quinta petição (que é: E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores), reconhecendo que nós e todos os outros somos culpados tanto do pecado original como do atual, e por isso nos tornamos devedores à justiça de Deus; e que nem nós nem qualquer outra criatura podemos dar a menor satisfação por essa dívida, pedimos para nós mesmos e para os outros que Deus, por sua livre graça, mediante a obediência e satisfação de Cristo, apreendidas e aplicadas pela fé, nos absolva tanto da culpa como do castigo do pecado; nos aceite em seu Amado; nos continue o seu favor e a sua graça; perdoe as nossas faltas diárias; e nos encha de paz e alegria, dando-nos cada dia mais e mais certeza do perdão; o que somos tanto mais animados a pedir e encorajados a esperar quando temos em nós mesmos este testemunho: que, de coração, perdoamos aos outros as suas ofensas.

P195Que pedimos na sexta petição?

Resposta

Na sexta petição (que é: E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal), reconhecendo que o Deus sapientíssimo, justíssimo e graciosíssimo, para diversos fins santos e justos, pode ordenar as coisas de tal modo que sejamos assaltados, vencidos e por algum tempo levados cativos pelas tentações; que Satanás, o mundo e a carne estão prontos para nos desviar poderosamente e nos enredar; e que nós, mesmo depois do perdão dos nossos pecados, por causa da nossa corrupção, fraqueza e falta de vigilância, não somente estamos sujeitos a ser tentados e prontos a expor-nos às tentações, mas também somos, por nós mesmos, incapazes de resistir a elas, de livrar-nos delas e de tirar proveito delas, e não temos vontade de fazê-lo, e somos dignos de ser deixados sob o seu poder, pedimos que Deus de tal modo governe o mundo e tudo o que nele há, subjugue a carne e refreie Satanás, ordene todas as coisas, conceda e abençoe todos os meios da graça e nos desperte para a vigilância no uso deles, que nós e todo o seu povo sejamos, por sua providência, guardados de ser tentados a pecar; ou, se tentados, que pelo seu Espírito sejamos poderosamente sustentados e habilitados a permanecer firmes na hora da tentação; ou, quando caídos, levantados de novo e libertados dela, e tenhamos dela um uso santificado e proveitoso; para que a nossa santificação e salvação sejam aperfeiçoadas, Satanás pisado sob os nossos pés, e nós plenamente livres do pecado, da tentação e de todo mal, para sempre.

P196Que nos ensina a conclusão da Oração do Senhor?

Resposta

A conclusão da Oração do Senhor (que é: Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém) ensina-nos a reforçar as nossas petições com argumentos, os quais devem ser tirados, não de qualquer dignidade em nós mesmos ou em qualquer outra criatura, mas de Deus; e a unir louvores às nossas orações, atribuindo somente a Deus a soberania eterna, a onipotência e a gloriosa excelência; em vista das quais, assim como ele é capaz de nos ajudar e está disposto a fazê-lo, assim também nós, pela fé, somos animados a rogar-lhe que o faça e a descansar tranquilamente nele, confiando que cumprirá os nossos pedidos. E, para testificar este nosso desejo e certeza, dizemos: Amém.